O monitoramento
pós-instalação deve produzir
periodicamente resultados que permitam quantificar a efetividade das
medidas adotadas e o impacto da rodovia sobre a fauna, de modo que as
primeiras sejam readequadas quando necessário, no
âmbito do processo de renovação da
licença ambiental da rodovia. O caráter
adaptativo das estratégias de
mitigação ambiental deve ser incorporado tanto
aos órgãos licenciadores quanto aos
empreendedores, muitas vezes recalcitrantes a mudanças
estruturais em obras dadas como concluídas, especialmente
quando decorrentes de demandas ambientais. Entretanto, da mesma forma
que com o passar do tempo alterações no
tráfego geram adequações estruturais
visando o aumento da capacidade da rodovia, o monitoramento ambiental
deve gerar indicativos suficientes para justificar eventuais
alterações nas estratégias de
mitigação, reduzindo-as ou alterando-as.
Considerando que a habituação da fauna
às estruturas mitigadoras ocorre após
vários anos (CLEVENGER & WALTHO 2003),
que impactos na diversidade biológica podem ser mensurados
somente após décadas (FINDLAY & BOURDAGES 2000),
que as características do entorno variam ao longo do tempo e
que o conhecimento científico se desenvolve e consolida
gradativamente, o processo de monitoramento e
reavaliação deve ter caráter de longo
prazo. Estimativas confiáveis requerem uma metodologia
adequada e um período contínuo de monitoramento,
que permita a detecção e
estabilização de padrões e dados
quantitativos. Com a obtenção de
diagnósticos e proposição de
indicativos tecnicamente embasados ao final de cada ciclo, pode-se
avaliar como satisfatória a estratégia de
monitoramento. Refletidas na efetiva implantação
das adequações recomendadas e na
redução do impacto ambiental da rodovia sobre a
fauna, pode-se considerar o projeto de mitigação
como eficiente, cumprindo a função para a qual
foi previsto no âmbito do licenciamento e da sustentabilidade
ambiental do sistema viário.