A indicação da estrutura
mitigadora adequada depende diretamente do tipo e magnitude do impacto
previsto, devendo ser embasada no diagnóstico efetuado, na
compatibilidade das espécies a serem protegidas com as
características das estruturas planejadas e na razoabilidade
do custo de sua implantação em
relação ao ganho ambiental. A
readequação de estruturas existentes ou com
múltiplo uso (pontes e bueiros, por exemplo) frequentemente
é uma alternativa viável e de menor custo do que
a instalação de uma estrutura
específica para a fauna, devendo ser inicialmente
considerada (CALTRANS 2009). O dimensionamento
e o espaçamento das passagens devem levar em
consideração as características do(s)
grupo(s)-alvo e dos ambientes: enquanto estruturas menores podem
atender às necessidades de pequenos animais, a
combinação de diversos tipos de estruturas
relativamente próximas tende a favorecer um maior
número de espécies, e aquelas de maiores
dimensões e mais espaçadas podem ser indicadas
para animais de maior porte. BISSONETTE & ADAIR (2008)
e BISSONETTE
& CRAMER (2008) indicam que, para grandes
mamíferos, a distância ideal entre passagens de
fauna em áreas sensíveis deva ser igual
à distância linear da área de vida
(raiz quadrada da área de vida) da(s)
espécie(s)-alvo.
Outro fator essencial a ser considerado na
definição da estrutura mitigadora é a
viabilidade técnica de sua instalação.
As rodovias se assentam em um dos quatro perfis topográficos
possíveis: em nível ou ripária, em
encosta ou corte/aterro, em vale ou em elevação
(Figura 90). Em alguns deles, determinada estrutura pode não
ser passível de implantação.

Segmentos da rodovia em áreas planas permitem
a instalação da maioria das estruturas de
passagem da fauna, sendo por vezes necessária a
elevação do greide* para que as passagens
inferiores não fiquem em cota muito inferior à
área do entorno e, inversamente, rebaixamento do greide para
instalação de passagens superiores. Trechos em
vales são propícios à
instalação de passagens superiores, ao passo que
trechos em elevações ou sobre aterros oferecem
facilidade para implantação de todos os tipos de
passagens inferiores. Já as seções em
encostas ou em corte/aterro são as mais difíceis
para instalação das estruturas de passagem, sendo
recomendável o cercamento para
condução da fauna até um local em que
a topografia ofereça condições
propícias para sua implantação (CLEVENGER
& HUIJSER 2011). Conformações
topográficas deste tipo, entretanto, foram caracterizadas
como de menor risco de atropelamentos (BORKOVCOVÁ et al.
2012), quando comparadas com áreas planas.
Segmentos sinuosos, devido à reduzida visibilidade e
consequente menor tempo de resposta, tanto para o condutor quanto para
o animal silvestre, tendem a apresentar maior número de
atropelamentos (GRILO et al. 2011).
Diversos fatores podem influenciar no uso das estruturas, sendo a
intensidade da resposta dependente da espécie ou grupo
animal considerado. A presença humana (CLEVENGER & WALTHO 2000) e
níveis elevados de ruídos (CLEVENGER & WALTHO 2005)
são normalmente negativos para todos os grupos animais,
enquanto características estruturais como a
proporção de abertura e o substrato, e do
ambiente adjacente exercem efeitos diversos. Grandes
mamíferos predadores tendem a utilizar com maior intensidade
passagens estreitas e protegidas pela vegetação,
enquanto herbívoros (potenciais presas) preferem passagens
com maior proporção de abertura e ambientes menos
vegetados, o que possibilita maior visibilidade e chance de
reação a eventuais ataques (CLEVENGER & WALTHO 2005).
Destaque-se que este padrão de resposta foi observado em
estudos desenvolvidos na América do Norte, devendo ser
confirmada a existência de padrões similares em
outros locais, comunidades e espécies. A
ambientação com as estruturas ao longo do tempo
também pode alterar a intensidade de resposta a estes
fatores, sendo necessário monitoramentos de longo prazo para
uma correta avaliação.
Iluminação e boa circulação
de ar são, também, características que
afetam positivamente o uso das passagens de fauna (CAIN et al. 2003).
De qualquer forma, a existência de padrões
distintos de resposta indica que a
disponibilização de estruturas com
características variadas atende um maior número
de padrões comportamentais e portanto de
espécies, proporcionando maior conectividade.